Resistir é preciso?

Não tenho certeza, mas creio que foi em alguma parábola judaica que li uma analogia muito interessante quanto a resistência. Na lâmpada incandescente, você tem duas polaridades, e através de uma resistência, a energia passa e gera luz constante. Porém, se você encostar as duas polaridades, sem a resistência no meio, o clarão é mais intenso, porém, imediatamente há o apagão, por ter gerado o curto-circuito. E em que isso se aplicaria na nossa vida? Quando queremos o prazer imediato, o clarão pode até ser intenso, mas em seguida vem a escuridão, o vazio profundo. Não nos sentimos plenos de fato, não colhemos os benefícios da resistência que mantém a luz constante. Como exemplo, temos a gula em excesso, quando comemos demais um alimento e ficamos nos sentindo mal depois, ou quando sucumbimos a ira, ou a luxúria.

Como a sabedoria ancestral sempre nos mostrou, a Natureza e suas leis nos ensinam como funciona o mundo, e qual é a melhor forma de vivermos nele. Estar de acordo com essas Leis, nos permite viver uma vida sem muitos sofrimentos, mas toda vez que agimos indo contra essas chamadas Leis Naturais, sofremos uma série de consequências dolorosas.

Em outro exemplo, temos o excesso de resistência gerando males. Vejamos: quando um bambu é entortado, ele não se quebra, resiste por ser flexível. Comparado a um graveto rígido, que logo se partiria, vemos a vantagem da flexibilidade. Quem já praticou e aprendeu lutas marciais, em sua maioria nascidas no Oriente, lembra que as primeiras aulas ensinam massivamente ao aprendiz a como cair. Dar rolamentos, sempre sem resistir a queda, pois quando caímos com o corpo e músculos tensionados, haverá mais dores e danos do que se cairmos sem resistência, flexíveis.

Percebam, saber a hora de ser flexível, saber a hora de resistir, são dois conhecimentos que podem parecer antagônicos, mas unidos em sabedoria, funcionam maravilhosamente bem.

Conclusão: Quando aprendemos a desistir, e desapegar, a soltar, em determinadas circunstâncias, acaba que o resultado é bem melhor do que se insistíssemos. Porém, quando a causa for nobre, devemos medir a insistência, na verdade, devemos persistir.

                                                                                   Pedro Mello Franco Telles

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