O QUE É LIBERDADE NA FÉ

Sempre existiu e existirá durante um certo tempo interpretações que fogem ao bom senso e a lógica, principalmente nas questões referentes a fé. Não são poucos os casos onde há verdadeira guerra de opiniões e crenças, cada um puxando para o seu lado, dizendo que sua interpretação ou crença é melhor que a outra, não sendo raras as vezes em que há ameaças, palavras ofensivas e sentimentos de rancor. Nos parece que o pensamento e sentimento mais amplo de amor ao próximo foi deixado de lado e o princípio da harmonia e liberdade foram esquecidos.

Há incontáveis religiões novas e antigas, grandes, médias e pequenas, no mundo inteiro. Entretanto, todos pensam que sua religião, crença ou prática é a melhor e, logicamente, considerando as demais de nível inferior, advertem insistentemente os adeptos para não se aproximarem ou mesmo terem nenhum contato com elas. Não são poucas as vezes que ouvimos dizerem que as outras religiões são ou tem origem no demônio, e que por isso se deve temer o castigo de Deus e, ainda, que não se obterá a salvação seguindo a dois senhores.

Parece que se tornou comum e talvez mais acirrado esse combate nos últimos tempos. E essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que são muito rigorosas, exigentes e zelosas de seus princípios e cujos religiosos e missionários procuram impedir o relacionamento dos seus membros e seguidores com outros credos. Dentre estas vemos verdadeiras ameaças, veladas ou não, e algumas até intimidam as pessoas dizendo-lhes coisas visando causar verdadeiro medo, como, por exemplo, que, se mudarem de fé, serão alvos de grandes desgraças, sofrerão doenças graves, perda da própria vida ou da família inteira, etc. É a costumeira tática utilizada pelas falsas religiões. Ora, se nos basearmos no senso comum, perceberemos que tudo não passa de tolice, principalmente se tomarmos o conceito de Deus e Suas Qualidades como Criador e Doador de toda a vida e de todo o Universo, mas geralmente as pessoas se deixam influenciar pelas ameaças e críticas, ficando indecisas. De certa forma observamos que isso não ocorre apenas com as religiões novas, pois mesmo nas religiões antigas e dignas de respeito acontecem fatos corriqueiramente e não sendo poucas essas manifestações nas redes sociais e canais de vídeos, o que é incompreensível. Analisando bem, podemos concluir que o pensamento liberal não se restringe às áreas políticas e sociais. Parece-nos que os grilhões do pensamento despótico persistem também nas religiões.

Sendo da forma citada acima, como podemos ver em todos os cantos, devemos dizer, a respeito da liberdade em Religião, que promover vantagens para a Igreja em detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é um abuso que atinge as raias do absurdo. Além de não ser democrático em respeito à liberdade de escolha, podemos desconfiar de seus reais motivos, demonstrando que, em muitos casos, está longe dos ideais de seus fundadores. Encontram justificativas mil para esse comportamento.

Além do mais, empregar para isso a ameaça verbal é algo que, a essas alturas, pode ser considerado uma imperdoável chantagem religiosa. A fim de exemplificar o que já foi dito acima, ainda temos esse ponto, a seguir, que é fundamental em uma análise desses casos ou Instituições, tanto as novas como as antigas; citarei o que tive ensejo de ouvir de uma pessoa: “Já faz bastante tempo que sou um seguidor fervoroso de uma determinada religião, mas vivo constantemente enfermo e não consigo me ver livre do sofrimento causado pela pobreza. Por esse motivo, nos últimos tempos fui perdendo a fé e resolvi abandonar essa religião. Porém quando fui comunicar minha decisão ao ministro a decisão que tomei, ele me disse coisas aterrorizantes. Sem saber como agir, venho pedir conselhos ao senhor.” Após ouvir a pessoa e seus móvitos, expliquei a ela que aquela religião, sem sombra de dúvida, era demoníaca e que o melhor seria deixá-la o quanto antes.

Não são poucos os casos como o citado acima, podemos dizer que exemplos como esses existem aos montes. O principal motivo que leva as religiões a tomarem tais atitudes é o medo que elas têm de ver diminuir o número de seus fiéis. Por outro lado, há uma razão que já se registra desde eras antigas. Quando a religião se torna atuante e conhecida, observa-se uma tendência para o aparecimento de imitações. Até mesmo com a nossa Igreja ocorre esse fato (Japão, década de 50). Nessas oportunidades, eu explico que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando são bem aceitos, surgem imitações. Ora, se isto acontece, é uma prova de que o produto foi bem aceito pelo povo. Portanto, ao invés de condenar o fato, devemos alegrar-nos com ele.

No cristianismo, parece que existe a mesma tendência, mas em outro sentido. Nesse caso em particular nos referimos à advertência sobre a vinda do Anticristo ou falso salvador. Da forma que é tratada e propagada, trata-se de uma advertência que apresenta não só pontos positivos como também negativos, pois, caso apareça o verdadeiro Salvador, será fácil confundir o mesmo com o falso, e nesse caso muitas pessoas deixarão de ser salvas.

O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem sua ardorosa fé acreditando que a religião que professam é a melhor de todas. Como são realmente sinceros, espiritualmente já estão salvos, e pessoalmente se sentem satisfeitos. Mas isso não é o certo. A verdadeira felicidade consiste em viver-se uma vida paradisíaca, em que a parte material esteja salva juntamente com o espírito. Embora sejam crentes fervorosos, muitos desconhecem esse particular; assim, é grande o número de pessoas que não consegue se livrar da infelicidade.

A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo pelo qual uma religião proíbe seus fiéis de terem contato com outras talvez seja o receio de que eles possam encontrar uma religião superior ou que resolva os problemas de forma definitiva de seus seguidores. Isso significa que existe um ponto fraco nessa religião; portanto, os fiéis devem ficar muito atentos a esse particular e acautelar-se. Nesse ponto, nossa Igreja é realmente liberal. Todos os membros sabem que até achamos muito útil o contato com outras religiões, porque, através das pesquisas, estamos ampliando nosso campo de conhecimentos. Por conseguinte, se acharem uma religião melhor que a nossa, podem converter-se a ela a qualquer momento. Isso jamais constituirá um pecado. Para o Verdadeiro Deus, o importante é a pessoa ser salva e tornar-se feliz.

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